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Carangola,30/10/2026

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ICMS de gasolina, diesel e gás sobe em fevereiro de 2027; diesel terá alta de 11,1% no imposto

Novos valores aprovados pelos estados elevam a cobrança fixa por litro e por quilo; aumento do tributo não significa, sozinho, alta equivalente no preço final.

Fontes: Conselho Nacional de Política Fazendária (Confaz),
ICMS de gasolina, diesel e gás sobe em fevereiro de 2027; diesel terá alta de 11,1% no imposto Reprodução / Folha BV — Imagem ilustrativa



Gasolina, diesel e gás de cozinha terão mais imposto estadual a partir de 1º de fevereiro de 2027. O maior aumento será no diesel: o ICMS passa de R$ 1,17 para R$ 1,30 por litro, uma alta de 11,1% no valor do tributo.



A decisão foi tomada pelos estados no Conselho Nacional de Política Fazendária, o Confaz, e publicada após reunião realizada em 27 de outubro. Os novos valores serão aplicados nacionalmente.



Na gasolina, o imposto sobe de R$ 1,57 para R$ 1,64 por litro. No gás de cozinha, passa de R$ 1,47 para R$ 1,54 por quilo. Se o aumento for integralmente repassado ao consumidor, só o ICMS acrescentaria R$ 3,50 a um abastecimento de 50 litros de gasolina e R$ 0,91 a um botijão de 13 quilos.




O MAIOR AUMENTO


Diesel: +11,1% no ICMS


O imposto sobe R$ 0,13 por litro a partir de fevereiro.




Quanto o imposto vai aumentar





ICMS DOS COMBUSTÍVEIS — HOJE X FEVEREIRO DE 2027



Gasolina


Hoje: R$ 1,57 por litro


2027: R$ 1,64 por litro — + R$ 0,07 (+4,5%)










Diesel


Hoje: R$ 1,17 por litro


2027: R$ 1,30 por litro — + R$ 0,13 (+11,1%)










Gás de cozinha


Hoje: R$ 1,47 por quilo


2027: R$ 1,54 por quilo — + R$ 0,07 (+4,8%)










Valores fixos do ICMS por unidade. Fonte: Confaz.




O diesel merece atenção porque não fica só no posto



O aumento de R$ 0,13 por litro parece pequeno quando observado isoladamente.



Mas o diesel está presente no transporte de cargas, ônibus, máquinas agrícolas, atividades industriais e em boa parte da logística que coloca produtos nas prateleiras.



Por isso, uma elevação de custo no diesel pode ultrapassar o abastecimento do caminhão e entrar na discussão sobre frete e preço de mercadorias.




Um caminhão abastecendo 500 litros:


ICMS atual: R$ 585


ICMS em 2027: R$ 650


Diferença: R$ 65 apenas no imposto estadual.




Isso não significa que um frete subirá exatamente R$ 65 ou que o preço de um produto terá aumento proporcional. O custo final depende de distância, consumo, contratos, concorrência e de vários outros componentes.



Mas o reajuste acrescenta uma pressão objetiva sobre um combustível que participa de praticamente toda a cadeia de distribuição brasileira.



Na gasolina, um tanque de 50 litros terá R$ 3,50 a mais de ICMS



Para quem abastece carro ou motocicleta, a conta é mais direta.



A diferença será de R$ 0,07 de imposto por litro de gasolina. Em um abastecimento de 50 litros, isso representa R$ 3,50 adicionais de ICMS, caso todo o reajuste apareça no preço final.




20 litros: + R$ 1,40 de ICMS


30 litros: + R$ 2,10


40 litros: + R$ 2,80


50 litros: + R$ 3,50




No gás, o aumento chega à cozinha



No GLP, usado no gás de cozinha, o imposto sobe R$ 0,07 por quilo.



Em um botijão comum de 13 quilos, isso equivale a R$ 0,91 a mais de ICMS.



O valor também não significa aumento automático de R$ 0,91 no preço do botijão, porque revenda, distribuição e outros custos participam da formação do preço.



Mas, se não houver absorção do reajuste por outros componentes da cadeia, o aumento tributário tende a chegar ao consumidor.



Por que o ICMS é cobrado em reais por litro?



O modelo atual é diferente daquele em que o imposto simplesmente acompanhava uma porcentagem do preço do combustível.



O ICMS dos combustíveis passou a funcionar no regime monofásico, com um valor fixo nacional por unidade de medida.



Por isso, na gasolina o ICMS será de R$ 1,64 por litro; no diesel, R$ 1,30 por litro; e no gás, R$ 1,54 por quilo. Os Convênios ICMS nº 127 e 128 de 2026 fixaram esses valores com efeitos a partir de 1º de fevereiro de 2027.



A atualização é anual e considera a evolução dos preços médios dos combustíveis. O modelo foi estabelecido após a Lei Complementar nº 192/2022.



Imposto maior não significa preço exatamente R$ 0,13 maior



É importante separar duas coisas.



O aumento do imposto está definido.



O aumento final na bomba ainda não está.



A Agência Nacional do Petróleo explica que o preço pago pelo consumidor é formado por diversos componentes: preço do produtor ou importador, tributos, biocombustíveis adicionados, distribuição, revenda e margens das empresas. No Brasil, os preços são livres.



Portanto, um aumento de R$ 0,13 no ICMS do diesel não permite afirmar hoje que o preço na bomba subirá exatamente R$ 0,13.



Mas permite afirmar que um dos componentes objetivos do preço ficou mais caro.



O aumento é dos estados



A decisão foi tomada no âmbito do Confaz, que reúne representantes das unidades da Federação e do Governo Federal.



Nos convênios publicados, os estados fixaram conjuntamente os novos valores do ICMS monofásico que serão aplicados em todo o país.



Isso também ajuda a separar impostos diferentes: o reajuste anunciado agora é do ICMS estadual. Tributos federais, políticas de preços, petróleo, câmbio e margens da cadeia são outros componentes e podem seguir trajetórias distintas até fevereiro.





EDITORIAL



R$ 0,07, R$ 0,13 e R$ 0,91 parecem valores pequenos quando apresentados isoladamente. O problema é que combustível não é uma compra isolada.



Gasolina entra no orçamento de quem precisa trabalhar, estudar, levar filhos à escola ou simplesmente se deslocar. Gás de cozinha entra dentro de casa. E diesel entra praticamente em tudo que precisa viajar até chegar ao consumidor.



É por isso que um reajuste tributário sobre combustíveis não deveria ser apresentado apenas como atualização técnica anual.



No caso do diesel, o próprio imposto estadual terá alta de 11,1%. Isso ocorre antes mesmo de saber qual será o comportamento do petróleo, do dólar, das refinarias e das margens de distribuição e revenda em fevereiro.



Quando um componente do preço sobe, o consumidor tem direito de saber exatamente quanto daquela alta apareceu na bomba por causa do imposto e quanto veio dos demais componentes.



Essa transparência será ainda mais necessária em fevereiro. Se o litro subir mais do que os R$ 0,07 da gasolina ou os R$ 0,13 do diesel definidos pelo Confaz, será preciso explicar o restante. Se subir menos, também será importante mostrar onde parte do reajuste foi absorvida.



O mesmo vale para o botijão de gás. Uma família não vive de percentuais tributários. Vive do valor que sobra depois de pagar comida, energia, transporte e gás para cozinhar.



Imposto pode ser discutido em centavos por litro. No orçamento de uma família e no custo de transportar um país inteiro, os centavos se multiplicam.






Fontes: Conselho Nacional de Política Fazendária (Confaz), Convênios ICMS nº 127/2026 e nº 128/2026; Agência Brasil; Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP).







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