Lara Resende atribui aos juros altos parte central do desequilíbrio fiscal; BC sustenta política para conter inflação
Economista critica a Selic e propõe novo regime fiscal e monetário; autoridade monetária aponta inflação, atividade e trajetória da dívida entre os riscos.
O economista André Lara Resende, integrante da equipe que formulou o Plano Real, voltou ao centro do debate econômico ao defender que a taxa básica de juros é hoje um dos principais fatores de pressão sobre a dívida pública brasileira. A tese é dele e não deve ser apresentada como conclusão consensual.
A crítica de Lara Resende
Em artigo, o economista argumenta que o resultado primário do governo está próximo do equilíbrio e que o déficit nominal permanece elevado principalmente por causa do custo dos juros da dívida. Ele aponta ainda que, nos 12 meses considerados no texto, os juros consumiram mais de R$ 1,1 trilhão, ou cerca de 8,9% do PIB.
Lara Resende propõe um regime em que metas fiscais e de juros sejam planejadas conjuntamente em horizonte de vários anos.
O argumento do Banco Central
O Banco Central sustenta que juros elevados são necessários para controlar pressões inflacionárias e ancorar expectativas. Comunicados do Copom também citam atividade econômica, mercado de trabalho, disciplina fiscal e trajetória da dívida pública como fatores relevantes. O debate, portanto, não é entre um fato e uma falsidade, mas entre diagnósticos econômicos diferentes sobre causa, risco e prioridade.
Fontes: André Lara Resende; Banco Central; Agência Brasil.





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