• Jornal Carangola

Com piora nas internações, JF transfere 30 pacientes para outras cidades e Carangola está entre elas

Sem lockdown, colapso na rede de saúde mineira poderia acontecer em dez dias, aponta coordenador de gestão da SRS



Em municípios da região, que receberam pacientes da cidade, já há falta de leitos de terapia intensiva disponíveis
(Foto: Fernando Priamo)

Um ano após o início das primeiras medidas adotadas pela Prefeitura de Juiz de Fora (PJF) para conter o avanço do coronavírus, a cidade vive um momento crítico na rede de saúde, com hospitais sem leitos de tratamento intensivo e unidades à beira do colapso da rede assistencial. De acordo com dados divulgados pela Secretaria de Saúde, até esta terça-feira (16), pelo menos 30 pacientes da cidade, internados por conta da Covid-19, foram transferidos para outros municípios da Zona da Mata e do Campos das Vertentes.


Municípios da região, inclusive alguns dos que receberam pacientes de Juiz de Fora, como Ubá e Santos Dumont, também tinham a capacidade máxima de ocupação de leitos de Unidades de Terapia Intensiva (UTI) atingida. Nesta terça, com três unidades hospitalares com 100% de ocupação UTI, Juiz de Fora voltou a bater recorde de internações simultâneas devido a complicações causadas pela doença, além de chegar a 94,21% de ocupação de equipamentos intensivos dos Sistema Único de Saúde (SUS).


Em conversa com o coordenador de Gestão da Superintendência Regional de Saúde de Juiz de Fora (SRS/JF), Tiago Abreu, revelou que prognósticos do Governo de Minas Gerais apontavam para o colapso geral da rede mineira do SUS em menos de dez dias, o que obrigou o Estado a tomar medidas enérgicas. O cenário levou o Governo a decretar a onda roxa (lockdown) em todo o estado mineiro por 15 dias. “O recorde vem sendo quebrado mês após mês desde dezembro, de maneira tal que, no Governo de Minas, nós chegamos no nível em que as estatísticas apontavam o esgotamento dos leitos em dez dias. Foi quando fizemos a regressão para a onda roxa para tentar evitar que isso aconteça”, afirma.

O coordenador explicou que a gestão do SUS é feita de modo que, com o esgotamento dos leitos em uma determinada região do estado, o paciente é enviado para outra localidade em que há vagas. No entanto, ao longo dos últimos dias, o sistema de saúde caminhava para um transbordamento geral de toda a rede de hospitais. “Juiz de Fora, tradicionalmente, recebe pacientes de toda a região. Mas, desde dezembro, Juiz de Fora transborda”, analisa. “Hoje, eu recebo um paciente de Belo Horizonte em Juiz de Fora porque surgiu uma vaga. Amanhã, eu mando um paciente para Belo Horizonte, porque abriu uma vaga lá e aqui está cheio. Vem gente de um lado para o outro e estamos caminhando no limite de uma taxa de ocupação muito grande. E as previsões seriam de uma catástrofe próxima”, complementa.

A imposição da onda roxa por duas semanas, segundo Abreu, serve para gerar um respiro ao sistema hospitalar durante todo um ciclo da doença. “Nós vamos restringir o contágio e, daqui a 14 dias, vai ter menos gente entrando nos hospitais. E essa medida, com a restrição do horário após às 20h, atinge o nosso principal problema, que são as festas”, explica o coordenador.

MAIS DE 500 INTERNAÇÕES SIMULTÂNEAS


Nesta terça-feira, a cidade voltou a bater recorde de internações simultâneas devido a complicações causadas pela Covid-19. O boletim epidemiológico atualizado registrou 515 hospitalizações – maior número desde o início da pandemia na cidade. Até às 18h03, 338 pacientes estavam internados com a doença em leitos de enfermaria, enquanto 177 estavam em leitos intensivos. O índice de ocupação em leitos intensivos para o tratamento da Covid-19 do SUS chegou a 94,21% em Juiz de Fora. A grave situação da cidade tem feito com que pacientes sejam transferidos para outros municípios da região e também tem gerado uma fila de espera para vagas em UTI.


Até a última terça-feira, a cidade que recebeu mais pacientes oriundos de Juiz de Fora foi Rio Pomba, destino final de oito das 30 transferências. Santos Dumont recebeu seis pacientes. Cataguases, Leopoldina, Muriaé e Ubá receberam três pacientes cada. A lista de cidades tem ainda Visconde do Rio Branco, para onde foram encaminhados dois pacientes, e Carangola e São João del Rei, para onde foram encaminhadas duas pessoas hospitalizadas por conta da doença.


Conforme a pasta municipal, o processo de transferência e regulação de pacientes em vagas da região é dinâmico, portanto, os dados se alteram diariamente. No último domingo, a Prefeitura divulgou em vídeo nas redes sociais relatos de familiares de pacientes internados com a doença. O momento é de angustia para aqueles que aguardam uma vaga em leito hospitalar. Um dos depoimentos é sobre o drama que vive uma mãe, cuja filha, 8 anos, estava internada na UPA Zona Norte e aguardava uma vaga para que a criança fosse transferida para um hospital. De acordo com a PJF, os hospitais, assim como as UPAs e UBSs, estão sobrecarregados.


PRESSÃO HOSPITALAR NA REGIÃO


Com a alta taxa de transmissão do vírus e a possível circulação de uma nova variante no estado, Minas Gerais passa por um momento de intensa pressão hospitalar. A macrorregião Sudeste, que abrange Juiz de Fora, inclusive, foi uma das primeiras a ser enquadrada pelo Governo estadual na onda roxa do Minas Consciente, no último sábado (13), devido à piora dos indicadores epidemiológicos.


Entre alguns dos municípios de referência na macrorregião Sudeste, Ubá tinha, nesta terça, todos os 22 leitos intensivos Covid-19 da cidade ocupados. De acordo com a assessoria de comunicação da Prefeitura, 16 pacientes eram da própria cidade, e os demais haviam sido transferidos de outros municípios da região. Todos os 22 leitos clínicos do Santa Isabel, única unidade hospitalar da cidade, também estavam ocupados. Ainda de acordo com a Prefeitura daquela cidade, a instituição teve de montar um equipamento emergencial, ultrapassando os 100% de ocupação. Para Ubá já foram transferidos três pacientes de Juiz de Fora.


Os dados mais recentes de Santos Dumont também apontavam ocupação máxima (12 leitos) UTI SUS por pacientes com a Covid-19 na cidade, metade das internações era referente a pacientes de municípios vizinhos. Em relação ao leitos de enfermaria Covid, 70% estavam ocupados. A cidade já recebeu seis pacientes oriundos de Juiz de Fora.


Em Leopoldina, que já recebeu três pacientes de Juiz de Fora, todos os 19 leitos UTI da Casa de Caridade Leopoldinense também estavam ocupados por pacientes com a doença, de acordo com o boletim mais recente do hospital, o único da cidade.


JOÃO PENIDO, HU E HMTJ COM 100% DE OCUPAÇÃO UTI COVID


Conforme levantamento da Tribuna realizado junto a hospitais da cidade, nesta terça, duas unidades referências para o tratamento da Covid-19 estavam com 100% de seus leitos UTI destinados ocupados. No Hospital Universitário da Universidade Federal de Juiz de Fora (HU/UFJF), todos os 13 leitos intensivos Covid-19 estavam ocupados. Também no Hospital Regional Doutor João Penido todos os 20 equipamentos intensivos estavam ocupados por pacientes com coronavírus. Na unidade, até 15h, 90% dos leitos de enfermaria Covid também estavam ocupados.


O painel gerencial da Prefeitura, na noite desta terça, também apontava 100% de ocupação de leitos UTI no Hospital Maternidade Therezinha de Jesus (HMTJ). Na unidade, 20 leitos intensivos eram ocupados por pacientes com a Covid-19.


Seis dos dez leitos UTI Covid do Hospital Pronto Socorro estava ocupados até a noite desta terça. No Hospital Ana Nery, 25 dos 28 equipamentos intensivos estavam em uso por pacientes com coronavírus, cerca de 89% de ocupação. Na Santa Casa de Misericórdia, 26 pacientes estavam nesta condição.


HOSPITAIS PRIVADOS


No Hospital Albert Sabin, 15 leitos UTI estavam ocupados por pacientes com a doença. No Hospital da Unimed, 13 leitos UTI estavam com pacientes. Em nota, a assessoria de comunicação do hospital informou que “com a rápida degradação do cenário, o Hospital da Unimed estava com 100% dos leitos de suas UTIs ocupados e, no setor de internação, 90% dos leitos também já estavam com pacientes”.


Já no Monte Sinai, 33 pessoas estavam internadas em UTI devido a complicações da doença. A unidade e o hospital Albert Sabin informaram que enviam diariamente à Vigilância Epidemiológica o número de vagas disponíveis e o volume de leitos ocupados.


PJF ABRE MAIS DEZ LEITOS DE UTI COVID-19


Ante o atual momento da pandemia e o progressivo aumento de casos graves e demanda por internação, a Prefeitura informou, nesta segunda, que criou mais dez leitos de UTI Covid-19. Os novos equipamentos foram montados no Hospital Monte Sinai que passa a oferecer um total de 20 leitos aos pacientes do Sistema Único de Saúde. Com isso, o Município passa a dispor de 121 leitos – aumento de 21% em relação ao total disponível no início deste ano.


No momento, de acordo com a PJF, a cidade conta com 28 leitos SUS no Hospital Ana Nery; dez no Hospital de Pronto Socorro Mozart Geraldo Teixeira (HPS), dez na Santa Casa; 13 no Hospital Universitário; 20 no Hospital Regional Dr. João Penido e outros 20 na Maternidade Therezinha de Jesus.


A Secretaria de Saúde informou que está avaliando a abertura de novos leitos em outras unidades hospitalares, o que “depende da regularização de trâmites burocráticos, da aquisição de equipamentos utilizados em UTIs e da contratação de profissionais para atuar nesses leitos”.

Fonte: TRIBUNA DE MINAS

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