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E por falar em Museu de Carangola, onde anda você?



O tradicional Museu Municipal de Carangola foi instalado em prédio pertencente à Empresa Barbosa & Marques, na Rua Antônio Marques, durante o mandato do Prefeito Dr. Fernando Costa. À época, foi assinado um contrato de comodato com duração de 20 anos para o funcionamento do Museu e do Arquivo Histórico. Em contrapartida, caberia ao Município arcar com os custos da reforma para adaptação e a conservação permanente do prédio até 2024.


Nos primeiros anos de atividade, o novo local trouxe encantamento ao público visitante, que se orgulhou de ver tanto material de valor histórico e sentimental devidamente reunido e exposto com a imponência que merecia. Alunos de escolas da região, universitários e pesquisadores conferiam constantemente a riqueza de todo o acervo do Museu de Carangola.


Entretanto, após fortes chuvas que danificaram o telhado e a parte elétrica do prédio, o Museu foi fechado à visitação. Após laudos periciais do Corpo de Bombeiros, foi apontada a necessidade de uma série de reformas estruturais no prédio para que pudesse um dia voltar a receber visitantes. Devido ao custo elevado da obra, os governos municipais decidiram não executar o serviço de recuperação do imóvel e, por isso, o Museu permaneceu interditado.


A atual administração ao assumir tentou realizar a obra, mas faltaram recursos, sobretudo em 2017 e 2018, que foram anos muito complicados para investimentos, uma vez que o Governo Estadual não repassava os recursos dos municípios. Ao mesmo tempo, a notícia que chegava de Governador Valadares, sede da empresa Barbosa & Marques, parecia demonstrar que o interesse de seus proprietários era o de desfazer de seus imóveis em Carangola. Os galpões antigos da empresa, na Avenida Antônio Marques, foram colocados à venda e sendo adquiridos por empreendedores.


Através de parceria com a UEMG, alunos dos cursos de História e Turismo se prontificaram a ajudar no trabalho de recuperação dos arquivos do Museu, juntamente com a equipe da Secretaria Municipal de Cultura, para manter sob cuidados todo o acervo. O Município também participou de editais abertos pelo Governo Estadual e Governo Federal, na tentativa de angariar recursos para reerguer o Museu.


Com tantas dificuldades financeiras, o Prefeito Paulo Pettersen entendeu que não seria racional e viável a Prefeitura realizar um investimento tão alto para reformar um imóvel particular, e cujo comodato se encerra logo em 2024, mesmo havendo possibilidade remota de renovação. A percepção do Chefe do Executivo mostrou-se certa, pois mesmo com o comodato ainda em vigoro imóvel foi anunciado para a venda.


Em 2019, a Prefeitura iniciou a negociação de um terreno próximo ao local onde foi destinado para a construção do novo Fórum Regional, para que possa ser construída ali a sede própria e segura do Museu, Arquivo e Biblioteca Municipal. É uma tratativa que precisa ser levada adiante.


Em janeiro de 2020, a devastadora enchente atingiu o prédio do Museu e do Arquivo Municipal. O acervo foi inundado, sofreu danos, muita lama invadiu o prédio. Após as águas baixarem, o cenário era devastador e desolador, e a impressão era de que havíamos perdido tudo. E muita gente ainda tem esse pensamento até hoje, de que realmente perdemos tudo. Mas isso, felizmente, não é verdade. O Museu e o Arquivo Histórico de Carangola não acabaram.


Silenciosamente, com a ajuda incrível de estudantes e voluntários, a Prefeitura de Carangola alugou em caráter emergencial um novo espaço, um prédio situado na Rua Coronel Olímpio Machado,em frente ao SUS, para começar ali o trabalho impressionante de recuperação da nossa história. O prédio é enorme, possui espaços abundantes, e as peças começaram a ser transferidas para lá, poucos dias após a enchente. Equipes técnicas do IEPHA, IBRAM e Secretaria Estadual de Cultura estiveram em Carangola para orientar o trabalho de recuperação, com altíssimo grau de profissionalismo e riqueza de detalhes. Assim, a história se preparou para superar esse triste episódio.


A Secretaria Municipal de Cultura pode contar com a incansável coordenação da historiadora Luciana Helena da Silva, graduada pela UEMG/Carangola, especialista em Ciências da Religião pela ÚNICA/Ipatinga e com capacitação em Arquivologia (PRIME cursos) e conservação de bens museológicos (IBRAM). E assim foi dado o início da recuperação, para separar, lavar, retirar a lama, secar, guardar e colocar novamente o acervo em boas condições.


O trabalho de um ano todo


Um trabalho admirável, lento, paciente, hiper-detalhado, que exige dedicação total e amor à causa - qualidades visíveis de Luciana - que acaba envolvendo e transmitindo para quem visita o local onde está sendo feito esse trabalho. Impossível não se contagiar. As sensações do "Túnel do Tempo", que se sente ao adentrar em um Museu Histórico, são as mesmas ou até mais forte. É como se a nossa história estivesse em um hospital se tratando, se recuperando... Muito interessante. Contagia. Vale conferir.


Tudo começou assim: Logo após o mutirão e a visita técnica de Belo Horizonte para a retirada dos bens museológicos, começou a limpeza dos jornais. Desde então, Luciana iniciou, praticamente sozinha, esse trabalho, com assistência do Diretor do Museu e Arquivo, Gustavo Vieira.


Para a limpeza dos jornais e documentos foram feitos banhos com água é álcool 70%, secando com entretela, papel toalha em varal e secador de cabelo no morno, para depois serem congelados. Os processos criminais e cíveis já estão em processo de congelamento. Os móveis foram higienizados com produtos próprios para madeira e cera incolor em pasta. Os bens em tecido foram limpos a seco e higienizado e embalado com TNT. As peças em ferro foram encaixotadas em caixotes de madeira. Os documentos secos foram higienizados com trincha e preparados em malotes com sisal. E os animais foram conservados com formol e recuperados pelos alunos do curso de Biologia da UEMG/Carangola.


A grande maioria dos documentos e peças demanda tempo para recuperação. O espaço onde está sendo feito todo o trabalho é bastante amplo e tudo se encontra em absoluta segurança. A visitação está aberta ao público para conferir esse trabalho. O empenho tem sido grande, e esse tipo de serviço é lento e exige tempo e paciência.


O mais importante é continuarmos a escrever novas páginas em nossa história. Confira de perto, confira você mesmo. Talvez você possa contribuir de alguma forma. Conte essa história para quem lhe disser o contrário! Esse trabalho não pode parar. A Secretaria de Cultura pretendia adquirir máquinas para digitalizar todo o acervo de documentos, sobretudo os mais antigos, pois desta forma estariam seguros na versão online para as futuras gerações.


Queremos agradecer ao Prefeito Paulo Pettersen, pois mesmo em um momento tão difícil, não virou as costas para o Museu de Carangola. O que não foi possível fazer, não foi por falta de vontade, foram as dificuldades que os gestores municipais tiveram que suportar nesses últimos quatro anos. Nossos agradecimentos aos Secretários de Cultura que nos antecederam no decorrer deste mandato, pois todos buscaram dar a sua parcela de contribuição. Agradecemos de maneira muito especial o funcionário da Cultura, José Antônio Morando Queiroz, aos colaboradores, voluntários e amantes da Cultura, de um modo geral, que não deixaram e não vão deixar todo esse Patrimônio se perder. Em especial, o reconhecimento a esta excelente profissional Luciana Helena da Silva, que merece os aplausos de todos nós, pois a nossa história permanece mais viva do que nunca graças ao seu profissionalismo.


E nossos votos que todos os carangolenses possam se unir de verdade para conseguir soluções definitivas para o Museu e Arquivo Histórico. Hoje nós sabemos aonde está e como está o nosso Museu; precisamos também agora que todos aqueles que amam essa preciosa instituição coloquem-se a postos para ajudar nesta causa nobre, empreendendo todos os esforços para o seu reerguimento. Nós estaremos sempre à disposição.


Por Redação Jornal Carangola


Com informações e fotos cedidos pela Prefeitura de Carangola através dos profissionais:

Marquinho Miragem

Secretário Municipal de Cultura e Patrimônio Histórico


Ângela Magalhães

Secretária Adjunta de Cultura e Patrimônio Histórico


Gustavo da Silva Vieira

Diretor de Museu e Arquivo


Izabel de Souza

Diretora de Patrimônio Histórico e Cultural Alguns registros:


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