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Carangola,29/08/2026

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Fim da taxa das blusinhas acende alerta no polo de moda de Muriaé

Remessas internacionais cresceram cerca de 47% em 2026; município está entre os polos mineiros de moda citados pela Fecomércio-MG.


Fim da taxa das blusinhas acende alerta no polo de moda de Muriaé

A discussão nacional sobre o fim do imposto de importação de 20% cobrado nas compras internacionais de até US$ 50 chegou diretamente à Zona da Mata. Muriaé aparece entre os polos mineiros de moda citados pela Fecomércio-MG ao alertar para os efeitos que uma nova expansão das importações pode produzir sobre confecções, comércio e empregos no estado.



Fiemg e Fecomércio-MG reagiram nesta sexta-feira, 28 de agosto, à possibilidade de o Congresso Nacional retirar de forma definitiva a cobrança conhecida popularmente como “taxa das blusinhas”. A votação está prevista para a próxima semana.



Segundo estudo divulgado pela Fecomércio, as remessas realizadas dentro do Programa Remessa Conforme voltaram a acelerar em 2026. Entre janeiro e julho, movimentaram R$ 12,16 bilhões, aproximadamente 47% acima do registrado no mesmo intervalo de 2025.



Muriaé não está assistindo à discussão de longe



A relevância regional está na estrutura econômica da Zona da Mata. Minas Gerais reúne 18 Arranjos Produtivos Locais ligados à moda, distribuídos por 87 municípios. Segundo a Fecomércio, esses polos concentram aproximadamente 67 mil empresas formais e cerca de 80 mil empregos diretos.



Entre os principais polos citados no levantamento estão a Região Metropolitana de Belo Horizonte, Nova Serrana, Divinópolis, São João Nepomuceno, Jacutinga, Muriaé e Juiz de Fora. Isso coloca a votação nacional dentro de uma cadeia econômica que emprega e movimenta empresas muito próximas de Carangola.



Ainda não há, no levantamento divulgado, um número isolado de empresas e empregos especificamente de Muriaé que permita calcular o impacto local com precisão. Essa lacuna é importante: não seria correto transferir para o município os números estaduais de 67 mil empresas e 80 mil empregos.



Importados cresceram e o setor mineiro perdeu força



O estudo da Fecomércio compara o comportamento das compras internacionais com o desempenho do comércio de tecidos, vestuário e calçados. Segundo a entidade, depois da entrada da cobrança em agosto de 2024, as remessas internacionais perderam força e o segmento de moda apresentou recuperação.



Em Minas, o setor saiu de retração acumulada de 12,7% no início de 2024 e terminou aquele ano com crescimento de 4,2%. O desempenho positivo continuou em 2025. Já em 2026, o quadro voltou a piorar. Em junho, a retração acumulada em 12 meses chegou a 4,4% no estado, enquanto o recuo nacional foi de 1,2%.



A própria Fecomércio reconhece que o enfraquecimento começou antes da flexibilização tributária ocorrida em 2026. Portanto, seria exagerado atribuir toda a retração apenas às compras internacionais. A entidade sustenta, porém, que o aumento da atratividade dos produtos importados é compatível com uma pressão concorrencial maior sobre o comércio e a produção nacional.



Preço baixo para quem compra, pressão para quem produz



A discussão tem dois lados econômicos claros. Para o consumidor, retirar o imposto tende a reduzir o custo de uma parcela das compras feitas em plataformas internacionais. Para empresas brasileiras de vestuário, calçados e tecidos, a medida amplia a concorrência com produtos produzidos sob estruturas tributárias, trabalhistas e industriais diferentes.



Na Zona da Mata, onde municípios como Muriaé e São João Nepomuceno possuem tradição no setor de confecção e vestuário, a votação deixa de ser uma discussão abstrata sobre comércio eletrônico. Ela passa a envolver empresas locais, fornecedores, empregos e arrecadação.



O próximo ponto concreto será a votação no Congresso. Depois dela, o impacto regional poderá ser medido com mais precisão pela evolução das vendas, produção, admissões, demissões e eventual manifestação das empresas e entidades empresariais de Muriaé e da região.



Fonte: Estado de Minas, com dados e posicionamentos da Fiemg e da Fecomércio-MG.






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