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Carangola,08/10/2026

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Três deputados estaduais de Minas sobem para a Câmara; Cássio Soares tentou o salto e ficou como suplente

Bella Gonçalves, Lohanna e Caporezzo foram eleitos deputados federais; Cássio teve 100.410 votos, mas não conquistou cadeira.

Câmara dos Deputados; TSE; ALMG; HubPolítico
Três deputados estaduais de Minas sobem para a Câmara; Cássio Soares tentou o salto e ficou como suplente

A eleição de 2026 não mudou a Assembleia Legislativa de Minas apenas porque alguns deputados perderam a disputa pela reeleição.



Parte da renovação ocorreu porque parlamentares que já ocupavam cadeiras estaduais decidiram tentar um salto para Brasília.



Cinco deputados estaduais fizeram esse movimento: Bella Gonçalves, Lohanna, Caporezzo, Cássio Soares e Carlos Pimenta. O resultado dividiu o grupo.



Lohanna foi eleita deputada federal com 108.182 votos. Bella Gonçalves conquistou a vaga com 98.750. Caporezzo também foi eleito, com 57.878 votos.



Cássio Soares recebeu 100.410 votos, votação superior à de Bella e Caporezzo, mas terminou como suplente do PSD. Carlos Pimenta, que retornou à ALMG no final de 2025 e tentou novamente chegar à Câmara, recebeu 8.115 votos e também ficou na suplência.



O contraste resume uma das partes menos intuitivas da eleição brasileira:



mais votos individuais não significam necessariamente uma cadeira.



Cássio teve mais de 100 mil votos e ficou fora



A comparação mais forte está justamente aí.



Cássio Soares recebeu 100.410 votos em Minas.



Bella Gonçalves recebeu 98.750.



Caporezzo recebeu 57.878.



Ainda assim, Bella e Caporezzo foram eleitos e Cássio não.



Não existe contradição jurídica nisso. Deputado federal é escolhido pelo sistema proporcional. Antes de definir quem ocupa a cadeira, a Justiça Eleitoral calcula quantas vagas cabem a cada partido ou federação, considerando sua votação total.



Depois, as cadeiras conquistadas são distribuídas entre os candidatos daquela legenda.



Isso significa que um candidato pode superar individualmente outro por dezenas de milhares de votos e, mesmo assim, não entrar na Câmara porque sua sigla conquistou menos cadeiras.



É exatamente o tipo de dado que desaparece quando a cobertura eleitoral apresenta apenas uma lista de vencedores.



Três saem da Assembleia para subir um degrau



Bella Gonçalves e Caporezzo chegaram à ALMG em 2023, ambos em primeiro mandato estadual. Lohanna também ocupava cadeira na atual legislatura. Os três deixam a Assembleia ao final do mandato estadual e assumem cadeiras federais em fevereiro de 2027.



A mudança tem duas consequências simultâneas.



A primeira acontece em Brasília: a bancada mineira ganha três deputados com experiência legislativa estadual.



A segunda ocorre em Belo Horizonte: as cadeiras que eles ocupavam na ALMG passam para novos deputados eleitos em 2026.



Por isso, parte da renovação da Assembleia não representa rejeição do eleitor aos antigos parlamentares.



Representa ascensão de cargo.



E os dois que não conseguiram?



Cássio Soares continua deputado estadual somente até o encerramento da atual legislatura, em 31 de janeiro de 2027. Ele não disputou novo mandato estadual e não conquistou vaga federal.



Carlos Pimenta vive situação semelhante. Ele está em exercício na atual legislatura até 31 de janeiro de 2027 e terminou a eleição federal como suplente.



Portanto, chamar os dois simplesmente de deputados que “ficaram” na Assembleia também seria incorreto.



Eles ficaram fora da Câmara Federal, mas também não estarão automaticamente na próxima ALMG.



A menos que alguma mudança futura na composição partidária ou na condição de suplência altere o cenário federal, os dois encerram seus atuais mandatos estaduais.



E onde Carangola entra nessa história?



Esse é o ponto que torna a matéria realmente nossa.



Carangola recebeu, entre 2023 e 2026, cerca de R$ 15,6 milhões em emendas estaduais, considerando indicações individuais e recursos de autores coletivos. Desse total, aproximadamente R$ 11,9 milhões já constavam como pagos na base estadual compilada pelo Radar do Voto.



Entre os deputados estaduais que mais indicaram recursos individualmente para Carangola aparecem:



Rafael Martins: R$ 3,4 milhões
Leandro Genaro: R$ 2,7 milhões
Doutor Wilson Batista: R$ 1 milhão
Beatriz Cerqueira: R$ 937 mil
Grego da Fundação: R$ 624 mil



Nenhum dos cinco deputados estaduais que tentaram migrar para a Câmara Federal aparece entre esses cinco maiores destinadores de emendas para Carangola.



Isso não significa que Bella, Lohanna, Caporezzo, Cássio ou Carlos Pimenta tenham destinado necessariamente zero ao município. O resumo público disponível não expõe a lista completa dos 14 deputados que enviaram recursos, e a própria plataforma alerta para limitações e defasagens da base estadual.



Mas existe uma conclusão que os números permitem:



nenhum deles esteve entre os principais financiadores estaduais de Carangola nesta legislatura.



Carangola também quase não foi base eleitoral deles



Na votação federal de 2026, o município também teve participação modesta na eleição dos três que subiram para Brasília.



Lohanna recebeu 82 votos em Carangola.



Caporezzo recebeu 56 votos.



Bella Gonçalves recebeu 37 votos.



Carlos Pimenta teve apenas um voto no município.



Ou seja, nenhum dos três eleitos construiu sua vitória federal em Carangola.



Isso não os desobriga da cidade. Deputado federal representa Minas inteira, não apenas os municípios onde foi mais votado.



Mas ajuda a explicar onde estão as bases políticas que naturalmente terão maior pressão sobre esses futuros mandatos.



Cássio tem uma relação institucional mais antiga com Carangola



Entre os cinco, Cássio Soares possui pelo menos um episódio relevante e documental ligado diretamente à cidade.



Em 2018, ele foi relator em comissões da Assembleia do projeto que autorizou o Estado de Minas a assumir os passivos financeiros de seis fundações incorporadas pela Uemg, entre elas a Fundação Educacional de Carangola.



O passivo conjunto das fundações chegava a aproximadamente R$ 100,7 milhões. Cássio apresentou parecer favorável à medida nas comissões de Administração Pública e de Fiscalização Financeira e Orçamentária.



Não se trata de uma emenda parlamentar de R$ 100 milhões destinada a Carangola. O valor abrangia seis fundações.



Mas é uma atuação concreta ligada a uma instituição importante da história educacional do município e deve ser registrada quando se avalia a relação do parlamentar com Carangola.



A pergunta precisa mudar quando eles chegam a Brasília



Bella, Lohanna e Caporezzo deixam de ser deputados estaduais e passam a integrar uma Câmara que decide orçamento federal, legislação nacional e emendas parlamentares de outra escala.



A partir de fevereiro, a pergunta para Carangola não é apenas quantos votos receberam aqui.



É:



quanto desses novos mandatos chegará até aqui?



Carangola já mostrou que emendas parlamentares têm peso real no orçamento municipal. Somente em emendas federais individuais da atual legislatura, o município acumula cerca de R$ 13,5 milhões empenhados, dos quais aproximadamente R$ 8 milhões já haviam sido pagos na consolidação mais recente.



Cleitinho, Rodrigo de Castro e Dimas Fabiano aparecem entre os principais responsáveis por esses recursos federais destinados ao município.



A partir de 2027 haverá três novos deputados federais que já conhecem o funcionamento do orçamento estadual.



A cobrança é legítima:



Carangola aparecerá também no mapa deles?



Renovação não é trocar fotografia na parede



A eleição produziu novos nomes para a ALMG e levou parlamentares estaduais para Brasília.



Mas medir renovação política apenas contando cadeiras novas é insuficiente.



Bella, Lohanna e Caporezzo não são estreantes na política institucional. Apenas mudaram de esfera.



Cássio recebeu mais de 100 mil votos e não conseguiu subir.



Carlos Pimenta, depois de décadas de trajetória na Assembleia, também não conquistou espaço federal.



A urna contou quem ganhou.



O sistema proporcional decidiu quem efetivamente recebeu cadeira.



E, para Carangola, o dado que interessa daqui para frente é outro:



quem recebeu poder novo precisa mostrar o que fará com ele pela região.



Fontes: Assembleia Legislativa de Minas Gerais, Câmara dos Deputados, Tribunal Superior Eleitoral, Radar do Voto e registros legislativos da ALMG.











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