Checagem do último debate encontra erros e distorções dos dois candidatos
Verificações publicadas após o confronto apontaram afirmações falsas, enganosas, exageradas ou imprecisas de Lula e Flávio Bolsonaro.
Manoella Mello/Globo O último debate presidencial terminou, mas várias das afirmações feitas no palco ainda precisavam passar pelo teste dos fatos.
A checagem publicada pelo UOL Confere identificou problemas em declarações dos dois candidatos. Houve afirmações falsas, dados usados sem contexto, exageros e frases corretas. A conclusão mais importante não é partidária: em uma campanha polarizada, a mesma régua precisa ser aplicada aos dois lados.
Flávio fez afirmações classificadas como falsas e enganosas
Entre os exemplos está a repetição da alegação de que Lula teria dito que ladrões roubam celulares para tomar cerveja. A checagem classificou a frase como falsa porque o vídeo usado para sustentar a acusação foi retirado de contexto.
Também foi classificada como falsa a ideia de que a redução do tamanho de produtos teria começado no atual governo. A chamada reduflação já era registrada em reportagens de anos anteriores.
Outras declarações sobre Bolsa Família, saneamento, apostas online, taxa de juros e obras receberam classificação de enganosa por omitir contexto ou atribuir a uma única gestão resultados construídos ao longo de governos diferentes.
Lula também exagerou e apresentou informação imprecisa
A afirmação de que teria acabado com a fome no Brasil em 2012 foi classificada como exagerada. O país saiu do Mapa da Fome posteriormente, em 2014, e isso não significou a inexistência absoluta de fome.
Outra frase, sobre ter herdado 6 mil obras paradas, foi considerada subestimada: dados do Tribunal de Contas da União apontavam número maior.
Ao mesmo tempo, a checagem confirmou afirmações do presidente sobre recorde de exportações e número de novos mercados abertos para produtos brasileiros.
Nem tudo cabe em verdadeiro ou falso
Campanhas usam números como armas retóricas. Um dado pode existir e ainda assim ser apresentado de maneira enganosa quando falta período de comparação, contexto histórico ou responsabilidade de outros governos.
É justamente por isso que checagem não pode funcionar como torcida. O trabalho jornalístico é separar o que ocorreu, o que foi interpretação, o que foi exagerado e o que simplesmente não encontra sustentação nos dados disponíveis.
Fonte: UOL Confere.





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