ONU eleva o tom sobre El Niño: oceano pode chegar a uma anomalia próxima de 3,8°C
Organização Meteorológica Mundial prevê intensificação até dezembro e mantém cenário de um dos eventos mais fortes observados em décadas.
REUTERS/David Swanson — Arquivo (10/10/2026) O El Niño de 2026 continua se fortalecendo e a Organização Meteorológica Mundial elevou novamente o tamanho do alerta.
Na atualização de 21 de outubro, a agência meteorológica da ONU informou que os modelos apontam para uma anomalia média de temperatura da superfície do mar próxima de 3,8°C na região Niño 3.4 entre novembro e janeiro, com pico por volta de dezembro.
É um número excepcional para um fenômeno que influencia chuva, seca e temperatura em várias partes do planeta.
Quase 100% de chance de persistir até fevereiro
A OMM já havia informado probabilidade próxima de 100% de manutenção do El Niño até fevereiro de 2027 e possibilidade de o episódio ficar entre os mais fortes desde pelo menos 1950.
A secretária-geral da organização, Celeste Saulo, chamou atenção para um fator adicional: o Pacífico tropical já está inserido em um planeta mais quente, o que aumenta a quantidade de calor disponível no sistema climático.
El Niño não causa o mesmo efeito em todo lugar
O fenômeno altera padrões de circulação atmosférica. Em algumas regiões ele favorece seca. Em outras, chuvas mais intensas. Também aumenta a probabilidade de temperaturas globais elevadas.
Isso não significa que qualquer tempestade individual seja causada pelo El Niño. A ligação científica é feita em escalas maiores de padrão climático e probabilidade.
Para o Brasil, órgãos nacionais acompanham o evento porque seus efeitos podem se combinar com vulnerabilidades locais, como ocupação de encostas, agricultura dependente de chuva e sistemas de abastecimento pressionados por estiagens.
O alerta da ONU não é uma previsão de que todos viverão um desastre. É um aviso de que o sistema climático entra em uma condição excepcional e que os governos têm menos espaço para improvisação.
Fontes: Organização Meteorológica Mundial; Agência Brasil.





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