Afastamentos por vício em apostas disparam 441% e mostram que a conta das bets já chegou ao trabalho
Benefícios por incapacidade temporária ligados à ludopatia passaram de 67 em 2023 para 363 em 2025. Número ainda é pequeno, mas a velocidade do crescimento acende alerta.
Drazen Zigic/Magnific — Reprodução via Estado de Minas Uma aposta começa com alguns reais. Uma segunda tenta recuperar a primeira. Depois vêm a madrugada em claro, a dívida escondida, o salário que desaparece antes do fim do mês e, em alguns casos, a incapacidade de continuar trabalhando.
Os registros do INSS começam a mostrar essa parte menos visível do mercado de apostas.
O número de benefícios por incapacidade temporária concedidos por ludopatia passou de 67 em 2023 para 363 em 2025. O crescimento em dois anos foi de 441%.
O salto ocorreu no mesmo período de expansão das apostas
Em 2024 foram 136 concessões. No ano seguinte, 363.
O período coincide com regulamentação e expansão das plataformas de apostas no Brasil, mas os próprios dados exigem cuidado: coincidência temporal e crescimento paralelo não provam, sozinhos, que a regulamentação causou cada afastamento.
Quatro em cada dez já não estavam no mesmo emprego formal
Entre os trabalhadores afastados analisados, a proporção de vínculos formais encerrados passou de 35% em 2023 para 42,5% em 2025.
Quase 70% das saídas ocorreram a pedido do próprio trabalhador ou por demissão sem justa causa.
A pesquisadora responsável pelo levantamento ressalta que os dados não permitem afirmar que a ludopatia causou diretamente essas demissões.
A maioria é homem e está em idade produtiva
Cerca de sete em cada dez beneficiários são homens e quase 67% estão entre 30 e 49 anos.
Para receber o benefício, o segurado precisa ter reconhecida a incapacidade temporária para o trabalho. O dado, portanto, não mede todos os brasileiros com problemas de jogo. Mede apenas uma parcela que chegou ao ponto de afastamento previdenciário.
O número absoluto ainda é pequeno. O crescimento não é
363 casos são poucos diante de milhões de trabalhadores e apostadores. Esse contexto precisa ser dito.
Mas a velocidade do crescimento também não pode ser escondida.
Ludopatia não aparece apenas como dívida. Pode atingir sono, ansiedade, relações familiares, concentração e capacidade de manter rotina profissional.
Quando a pessoa precisa se afastar do trabalho para tratar o transtorno, a conta da aposta deixou de ser apenas financeira. Ela chegou à saúde, ao emprego e à família.
Fontes: Subsecretaria de Estatísticas e Estudos do Trabalho; Ministério do Trabalho e Emprego; Ministério da Previdência Social; Folha de S.Paulo.





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