Alex Ferreira
Período eleitoral começa com fake news e judicialização em Minas.
Editorial analisa crise democrática e retorno de estratégias golpistas no Brasil. Democracia brasileira entra em modo de sobrevivência.
Por: Alex FerreiraPeríodo eleitoral começa com velhos vícios e novas máscaras: Brasil e Minas em alerta democrático
Com a chegada de 2026, políticos reaparecem em cena com discursos reciclados, enquanto o país enfrenta ameaças externas, desinformação e uma democracia em estado de vigilância
Domingo amanhece com cheiro de campanha antecipada. O Brasil entra em seu ciclo eleitoral com a sutileza de um elefante em loja de cristais: velhos caciques ressurgem com promessas recicladas, enquanto novos rostos tentam se vender como rupturas — mas carregam no bolso os mesmos vícios de sempre.
Minas Gerais: laboratório da desinformação e da judicialização
O estado que já foi berço de Tancredo agora se vê às voltas com denúncias de campanhas sistemáticas de fake news. O TRE-MG aceitou denúncia contra Nikolas Ferreira e Bruno Engler por distorções grotescas de uma obra literária para fins eleitorais. A Justiça Eleitoral, que já havia determinado a retirada das postagens, agora pode tornar os parlamentares inelegíveis.
O caso é emblemático: mostra como a desinformação deixou de ser estratégia marginal e passou a ocupar o centro da disputa política. E mais grave — como parte da extrema direita desafia abertamente decisões judiciais, apostando na impunidade e no desgaste institucional.
Brasil: soberania ameaçada e Congresso em combustão
Enquanto isso, no plano nacional, o país enfrenta uma crise diplomática sem precedentes. Donald Trump, em carta oficial, anunciou tarifa de 50% sobre produtos brasileiros, alegando perseguição a Jair Bolsonaro. A retaliação comercial é apenas a ponta do iceberg: o ex-presidente dos EUA revogou vistos de ministros do STF e seus familiares, numa clara tentativa de interferência externa no Judiciário brasileiro.
O Congresso, por sua vez, vive uma guerra fria com o Executivo. A queda de braço entre Lula e o centrão se intensifica, com pautas-bomba sendo aprovadas em retaliação a vetos presidenciais. A governabilidade virou moeda de troca, e a reforma ministerial que se avizinha será menos sobre eficiência e mais sobre sobrevivência política.
O retorno dos fantasmas: golpe, censura e o culto da ruptura
O julgamento do plano de golpe de Bolsonaro segue no STF, com provas que incluem confissões, áudios e vídeos. A extrema direita, longe de recuar, dobrou a aposta: parlamentares como Damares Alves já anunciam que o impeachment de Alexandre de Moraes será pauta prioritária.
O discurso da ruptura institucional se normalizou. A frente ampla de 2022 tenta se reorganizar para 2026, mas enfrenta um cenário onde o radicalismo se profissionalizou e a moderação virou sinônimo de fraqueza.
Minas e o teatro eleitoral: quem são os atores?
Com duas vagas no Senado em disputa, Minas Gerais já vê articulações intensas. Rodrigo Pacheco pode disputar o governo estadual com apoio do PT e do centrão. Cleitinho, Marcelo Aro, Reginaldo Lopes e até Aécio Neves surgem como peças no tabuleiro. Mas o jogo é menos sobre propostas e mais sobre quem controla a máquina partidária.
Enquanto isso, o eleitor mineiro — e brasileiro — assiste ao espetáculo com ceticismo. A propaganda partidária já ocupa rádios e TVs, mas o conteúdo segue raso, genérico e desconectado da realidade. A democracia liberal, como disse Lula no Chile, não responde mais aos anseios contemporâneos. O problema é que ninguém parece saber o que responder no lugar.
Editorial Jornal Carangola
Por: Alex Ferreira




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