Mineração ilegal investigada pela PF expõe destruição por trás da Serra do Curral
Operação Rejeitos revela esquema criminoso envolvendo empresas de fachada, servidores públicos e políticos para explorar minério de ferro em área símbolo de Belo Horizonte.
A Serra do Curral, patrimônio natural e símbolo de Belo Horizonte, voltou ao centro do debate após a deflagração da Operação Rejeitos, na última quarta-feira (17). A Polícia Federal desarticulou um esquema de mineração ilegal que utilizava empresas de fachada, servidores públicos e articulações políticas para explorar minério de ferro sem licença. O caso expôs o contraste entre o paredão verde voltado para a capital e a degradação escondida em áreas voltadas para Sabará e Nova Lima, marcadas por clareiras, escavações e depósitos de rejeito. Entre moradores, a região devastada ganhou até o apelido de “Gotham City”, numa referência à cidade fictícia do universo Batman. Com 14 quilômetros de extensão, a serra circunda Belo Horizonte e integra a Serra do Espinhaço, declarada Reserva da Biosfera pela Unesco. A região abriga fauna e flora ameaçadas, além de ter papel histórico no nascimento da capital mineira, outrora chamada de Curral Del Rey. Desde 1998, é reconhecida como símbolo belo-horizontino, com valor cultural comparável ao Pão de Açúcar para os cariocas. Além de seu valor histórico e paisagístico, a Serra do Curral tem função essencial para a segurança hídrica de Belo Horizonte. Em suas encostas está a Adutora do Taquaril, responsável por transportar 70% da água consumida pela capital. O avanço da mineração ameaça diretamente esse sistema vital. Apesar da relevância ambiental, o tombamento definitivo da Serra do Curral segue parado desde 2020 no Conselho Estadual do Patrimônio Cultural. Enquanto isso, projetos de lei e até uma emenda à Constituição aguardam votação na Assembleia Legislativa. A falta de decisão efetiva tem permitido brechas para novos licenciamentos e exploração irregular. Segundo a PF, o esquema configurava uma rede de corrupção sistêmica, envolvendo agentes públicos, políticos e empresários. Entre os alvos da operação estão ex-dirigentes do Iepha, da Feam e do IEF, acusados de manipular documentos e favorecer mineradoras em troca de propina. Mensagens interceptadas revelaram ainda a intenção de ampliar o controle sobre a serra por meio do chamado “Projeto Taquaril” e de arquivar o projeto de lei que criaria o Monumento Natural da Serra do Curral. Enquanto a investigação avança, deputados estaduais discutem a abertura de uma CPI da mineração em Minas Gerais, reforçando que a luta pela preservação da Serra do Curral está longe de terminar.Mineração ilegal investigada pela PF expõe destruição por trás da Serra do Curral
Operação Rejeitos revela esquema criminoso de exploração em área símbolo de Belo Horizonte
Símbolo da capital mineira
Papel estratégico na segurança hídrica
Tombamento travado
Corrupção sistêmica





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