O que é um edema? Condição acende alerta para Neymar na Copa
Após Neymar, 34, ser convocado para a Copa do Mundo, o estado de saúde do atacante passou a ser acompanhado com ainda mais atenção. O jogador recebeu o diagnóstico de um edema na panturrilha direita recentemente, condição que levantou dúvidas sobre a possibilidade de desfalque da Seleção Brasileira durante a competição.
O diagnóstico também despertou dúvidas sobre a gravidade do quadro e os impactos que pode causar no rendimento de um atleta. Mas, afinal, o que é edema?
O que é edema
Segundo o especialista Luiz Felipe Ambra, ortopedista do Hospital M’Boi Mirim, filiado ao Einstein Hospital Israelita, edema é o acúmulo anormal de líquido nos tecidos do corpo, geralmente no espaço entre as células (o chamado interstício), e, quando o equilíbrio entre o que entra e sai dos vasos sanguíneos é alterado, esse líquido se acumula, tornando-se um inchaço que é visível ou sentido.
O Manual MSDA de Saúde aponta que o quadro pode ter caráter generalizado ou local (quando atinge um único membro ou parte). Na maior parte dos casos, os inchaços surgem de forma sutil, sendo atrelados a fatores como ganho de peso ou o uso de um sapato apertado, e dessa forma, o edema pode se tornar maciço antes que o paciente entenda que é necessária atenção médica. Há também ocorrências em que o sintoma surge de forma repentina.
“É importante deixar claro que edema não é uma doença em si — é um sinal de que algo está acontecendo, seja um trauma, uma inflamação, um problema circulatório ou até uma condição sistêmica, como cardíaca ou renal”, ressalta Luis Felipe.
Ele acrescenta que os sintomas ligados ao edema são marcados pela percepção de um inchaço visível; sensação de peso ou tensão no local; pele esticada, brilhante e às vezes mais quente; dor ou desconforto, em especial ao andar ou se pressionar; limitação do movimento se for próximo a uma articulação; e Sinal de Godet. Em um caso como o de Neymar, o atleta pode relatar rigidez, dor à contração e perda de força na região.
No geral, os sintomas são relacionados à doença causadora do inchaço. Um edema generalizado pode advir de quadros como insuficiência cardíaca, insuficiência hepática e doenças relacionadas. Nos que tem causa sistêmica — cardíaca, renal, venosa crônica — o tratamento é totalmente diferente e exige investigação específica e tratamento da origem da doença de base.”
Já edemas localizados podem ter como origem, por exemplo, uma obstrução ou doença venosa, uma pancada e até mesmo infecções.
Por isso, o especialista explica que o tratamento para um edema de origem musculoesquelética, como possivelmente é o caso do atleta, tem como foco o repouso relativo da região; compressão com bandagens ou meias elásticas; elevação da região para facilitar o retorno venoso e linfático; anti-inflamatórios, a depender do caso; crioterapia (aplicação de gelo nas primeiras 48 a 72 horas) e fisioterapia — com técnicas como eletroterapia, laser e exercícios progressivos.
Caso de Neymar
Possivelmente o quadro do atleta tenha surgido após uma pancada sofrida no jogo contra o Coritiba, pelo Campeonato Brasileiro. O atual técnico do Santos, Cuca, citou que Neymar havia sentido uma “beliscada” na perna na ocasião. Ao que se sabe até o momento, o quadro de Neymar é moderado.
“É importante o público entender que ‘edema na panturrilha’ é um achado de imagem, geralmente na ressonância, e ele pode ter origens muito diferentes; o tratamento e o tempo de afastamento mudam bastante dependendo da causa”, explica o ortopedista. Uma lesão muscular, mesmo que de grau 1, pode afastar um jogador por uma a três semanas. Lesões maiores podem levar de seis a oito semanas.
A contusão muscular pode gerar um edema e sangramento dentro do músculo, sem romper a fibra muscular. Nesse caso, a recuperação costuma ser mais rápida. Em esportes como futebol, em que atletas têm contato, ela é chamada comumente de “paulistinha”. “No caso de um jogador como o Neymar, mesmo um edema considerado pequeno tem peso enorme. A panturrilha é fundamental para arranque, mudança de direção, salto e finalização. Voltar antes da hora aumenta muito o risco de recidiva, que costuma ser mais grave que a lesão original.”
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