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Carangola,12/09/2026

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Operação Cavalo de Troia chega a Muriaé e mira repasses a servidores de Laranjal

Terceira fase cumpriu seis mandados e investiga transferências de empresas suspeitas para agentes públicos e familiares.

Divulgação / MPMG
Operação Cavalo de Troia chega a Muriaé e mira repasses a servidores de Laranjal

A terceira fase da Operação Cavalo de Troia chegou a Muriaé nesta quarta-feira (9) e cumpriu seis mandados de busca e apreensão, sendo dois no município e quatro em Laranjal. A investigação do Ministério Público de Minas Gerais apura possíveis fraudes em licitações e irregularidades em contratos públicos da Prefeitura de Laranjal.

Segundo o MPMG, a nova etapa foi aberta após o rastreamento de transferências financeiras feitas por duas empresas investigadas para três servidores municipais e familiares. Entre os agentes públicos citados pela apuração estão um assessor jurídico responsável por pareceres em licitações, o servidor encarregado dos procedimentos licitatórios e um secretário municipal. Os nomes não foram divulgados oficialmente.

A presença de mandados em Muriaé amplia o alcance territorial da investigação iniciada em abril. A primeira fase teve buscas em Laranjal e Além Paraíba; em julho, a segunda etapa voltou a cumprir mandado em Além Paraíba.

Contratos de hospital e casa de repouso estão sob análise

A apuração começou depois que duas empresas sediadas em Além Paraíba passaram a vencer repetidamente licitações em Laranjal a partir de 2024. Uma delas obteve contratos para administrar a casa de repouso para idosos e o Hospital Municipal. O Ministério Público afirma ter encontrado indícios de informações falsas em atestados de capacidade técnica e alterações no cadastro de atividade econômica feitas pouco antes da abertura dos processos seletivos.

A segunda empresa teria criado uma sede em Laranjal para atender exigências de proximidade previstas nos editais. Conforme o órgão, atestados usados por essa companhia teriam sido fornecidos pela primeira empresa. Os representantes legais das duas mantêm relacionamento afetivo, elemento que passou a integrar a linha investigativa sobre possível atuação conjunta.

Também são apurados indícios de superfaturamento, emissão de notas fiscais falsas e pagamento por produtos que podem não ter sido entregues integralmente. As licitações abrangiam itens variados, como material de escritório, caixas-d’água, alimentos e até um drone pulverizador.

O que a nova fase ainda precisa esclarecer

As buscas têm o objetivo de recolher documentos, aparelhos e outros elementos para análise. O cumprimento dos mandados não equivale a condenação, e as suspeitas descritas pelo MPMG ainda dependem de confirmação no curso da investigação e de eventual processo judicial.

A Prefeitura de Laranjal foi procurada pela imprensa regional e, até as publicações consultadas, não havia apresentado resposta. Caso haja manifestação dos servidores, das empresas ou da administração municipal, ela deverá ser incorporada ao acompanhamento do caso.

Para Muriaé e a Zona da Mata, o novo capítulo é relevante porque mostra que a apuração já alcança três municípios e envolve contratos ligados a serviços públicos sensíveis. O material recolhido nesta terceira fase poderá esclarecer a origem e a finalidade das transferências identificadas.

Se os indícios forem confirmados, os envolvidos poderão ser denunciados por crimes como fraude em licitação, associação criminosa e lavagem de capitais. Essa possibilidade, porém, é uma consequência futura condicionada ao resultado das investigações.

Fontes: Ministério Público de Minas Gerais; Rádio Muriaé; Tribuna de Minas.




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