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Carangola,20/10/2026

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Vai dar quem? Seis pesquisas registradas no TSE mostram uma disputa apertada

Flávio Bolsonaro e Lula a poucos dias do segundo turno; veja números, metodologia, margem de erro, rejeição e registro de cada levantamento.

Datafolha; AtlasIntel/Bloomberg; Nexus/BTG Pactual; PoderData; Quaest; CNT/MDA; Tribunal Superior El
Vai dar quem? Seis pesquisas registradas no TSE mostram uma disputa apertada




Faltando poucos dias para o segundo turno da eleição presidencial, uma pergunta domina conversas, redes sociais e campanhas: vai dar quem?




Os levantamentos mais recentes colocam Flávio Bolsonaro (PL) numericamente à frente de Lula (PT), mas as diferenças variam conforme instituto, metodologia e período de coleta. Em vários casos, os números permanecem dentro ou muito próximos das margens de erro.





O retrato geral: as seis pesquisas comparadas nesta matéria mostram Flávio numericamente à frente, mas com diferenças que vão de menos de 1 ponto a 4 pontos percentuais nos votos válidos.





PoderData: 52% a 48%




O levantamento divulgado em 19 de outubro mostrou Flávio Bolsonaro com 52% dos votos válidos e Lula com 48%.




Entrevistados: 3.000 eleitores


Coleta: 16 a 18 de outubro


Método: entrevistas por telefone


Margem de erro: 1,8 ponto percentual


Confiança: 95%


Registro TSE: BR-02586/2026





AtlasIntel/Bloomberg: 51,1% a 48,9%




Na pesquisa AtlasIntel divulgada em parceria com a Bloomberg, Flávio aparece com 51,1% dos votos válidos e Lula com 48,9%.




Entrevistados: 4.998 eleitores


Coleta: 13 a 18 de outubro


Método: recrutamento digital


Margem de erro: 1 ponto percentual


Confiança: 95%


Registro TSE: BR-02418/2026





BTG/Nexus: 50,3% a 49,7%




O levantamento BTG/Nexus divulgado em 19 de outubro apresenta o cenário mais apertado entre as pesquisas recentes: 50,3% para Flávio e 49,7% para Lula nos votos válidos.




Nos votos totais, Flávio registra 46,5% e Lula, 45,9%. Brancos e nulos somam 4,7%, enquanto 2,9% não souberam ou não responderam.




Entrevistados: 2.002 eleitores


Coleta: 16 a 18 de outubro


Método: entrevistas por telefone


Margem de erro: 2 pontos percentuais


Confiança: 95%


Registro TSE: BR-04499/2026





Datafolha: 51% a 49%




O Datafolha aponta 51% dos votos válidos para Flávio e 49% para Lula. O próprio instituto classifica o cenário como empate técnico dentro da margem de erro.




Entrevistados: 2.520 eleitores


Abrangência: 153 municípios


Coleta: 13 e 14 de outubro


Método: entrevistas presenciais


Margem de erro: 2 pontos percentuais


Confiança: 95%


Registro TSE: BR-00466/2026





CNT/MDA: 50,5% a 49,5%




Na CNT/MDA, Flávio aparece com 50,5% dos votos válidos e Lula com 49,5%, também em cenário de empate técnico.




Entrevistados: 2.014 eleitores


Coleta: 13 a 15 de outubro


Método: entrevistas presenciais


Margem de erro: 2,2 pontos percentuais


Confiança: 95%


Registro TSE: BR-00652/2026





Quaest: 51% a 49% nos válidos




A Quaest divulgada em 14 de outubro registrou 46% para Flávio e 44% para Lula no cenário total. Convertidos em votos válidos pelo próprio levantamento, os percentuais ficam em 51% para Flávio e 49% para Lula.




Entrevistados: 2.154 eleitores


Coleta: 10 a 13 de outubro


Margem de erro: 2 pontos percentuais


Confiança: 95%


Registro TSE: BR-08729/2026





Os institutos usam métodos diferentes




Os números não devem ser comparados como se todas as pesquisas fossem produzidas exatamente da mesma maneira.




PoderData e Nexus utilizam entrevistas por telefone. O Datafolha e a CNT/MDA trabalham com entrevistas presenciais. A AtlasIntel utiliza recrutamento digital. Cada método possui desenho amostral, ponderações e formas distintas de alcançar o eleitor.




Por isso, uma diferença de um ou dois pontos entre institutos não significa necessariamente que um deles esteja certo e outro errado. Pesquisas eleitorais são estimativas produzidas a partir de amostras da população.




Rejeição também está praticamente dividida




O Datafolha encontrou 46% de rejeição exclusiva a Lula e 44% a Flávio Bolsonaro. A diferença também está dentro da margem de erro.




Isso ajuda a explicar por que a disputa permanece tão comprimida. Os dois candidatos chegam à reta final com eleitorados fortemente mobilizados, mas também com resistência elevada no campo adversário.




O país não vota de maneira uniforme




Os recortes do Datafolha ajudam a mostrar como a disputa muda conforme o segmento do eleitorado.





  • Mulheres: Lula aparece com 55% dos votos válidos, contra 45% de Flávio.

  • Homens: Flávio registra 56%, contra 44% de Lula.

  • Nordeste: Lula tem 66%, contra 34% de Flávio.

  • Sudeste: Flávio aparece com 56%, contra 44% de Lula.

  • Sul: Flávio marca 62%, contra 38% de Lula.

  • Regiões metropolitanas: Lula aparece com 54%, enquanto no interior Flávio registra 54%.





Esses recortes possuem margens de erro próprias, maiores que a margem nacional, porque trabalham com grupos menores de entrevistados.




Ainda há espaço para mudança?




Sim, mas o espaço parece limitado. No levantamento BTG/Nexus, 90,9% dos entrevistados disseram já ter decidido o voto e não pretender mudar. Outros 8,4% afirmaram que ainda podem mudar de escolha.




No Datafolha, 93% disseram estar totalmente decididos. Entre eleitores que votaram em candidatos eliminados no primeiro turno, porém, a possibilidade de mudança é maior.




Com uma disputa tão próxima, pequenas alterações em comparecimento, abstenção, transferência dos votos e decisão final de parte desse eleitorado podem ter peso relevante no resultado.




Então, vai dar quem?




Os dados disponíveis até agora permitem afirmar que Flávio Bolsonaro aparece numericamente à frente nos levantamentos comparados, mas não permitem transformar pesquisa em resultado antecipado.




A eleição será decidida pelo voto contado nas urnas. Até lá, pesquisas mostram tendências, movimentos e diferenças entre grupos do eleitorado, mas continuam sendo fotografias de momentos específicos da campanha.





Opinião da redação




Pesquisa eleitoral é instrumento de medição, não peça de campanha. Quando um candidato aparece com 51% e outro com 49%, o jornalismo sério não deveria transformar dois pontos percentuais em sentença, muito menos esconder margem de erro, método de coleta, período de campo ou histórico do instituto para fabricar uma narrativa conveniente.




O problema começa quando campanha, militância e parte da própria imprensa escolhem apenas o número que lhes interessa. Pesquisa favorável vira manchete definitiva. Pesquisa desfavorável vira “levantamento questionável”. Recorte positivo ganha destaque. Recorte negativo desaparece. Nesse ponto, já não se está informando o eleitor sobre a disputa. Está se tentando administrar a percepção dele.




É justamente por isso que o Jornal Carangola publica os institutos lado a lado, identifica metodologia, amostra, margem de erro, período de entrevistas e registro no Tribunal Superior Eleitoral. Nenhuma pesquisa deve receber tratamento de verdade absoluta, e nenhuma deve ser descartada apenas porque contraria preferência política.




Em uma eleição apertada, a obrigação da imprensa não é escolher qual número o leitor deve acreditar. É mostrar todos os elementos necessários para que ele perceba onde existe tendência, onde existe empate, onde existem diferenças metodológicas e onde alguém está tentando transformar estatística em propaganda.

Credibilidade política não se constrói dizendo ao público em quem confiar. Constrói-se dando ao público condições para perceber quando estão tentando conduzi-lo.





A reta final




O segundo turno está marcado para 25 de outubro. Antes disso, novas rodadas de pesquisas ainda serão divulgadas e poderão mostrar se a aproximação observada em alguns levantamentos continua, estabiliza ou muda de direção.




Até a abertura das urnas, portanto, a resposta para “vai dar quem?” continua sendo justamente aquilo que torna a disputa interessante: o eleitor ainda terá a palavra final.




Fontes: Datafolha; AtlasIntel/Bloomberg; Nexus/BTG Pactual; PoderData; Quaest; CNT/MDA; Tribunal Superior Eleitoral; Reuters.






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