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Carangola,04/09/2026

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Contrato de R$ 131 milhões do Master teve edição atribuída a perfil de Alexandre de Moraes

Metadados analisados pela PF registram alteração no arquivo ligado ao escritório da esposa do ministro; banca diz que ele respondeu a consulta de compliance.


Contrato de R$ 131 milhões do Master teve edição atribuída a perfil de Alexandre de Moraes

Metadados de uma versão do contrato entre o Banco Master e o escritório Barci de Moraes Sociedade de Advogados registram uma edição atribuída a um perfil do Office 365 identificado como “Ministro Alexandre de Moraes”. O documento, extraído do celular de Daniel Vorcaro e analisado pela Polícia Federal, previa desembolso bruto de aproximadamente R$ 131,27 milhões.



O contrato estabelecia pagamentos mensais ao escritório de Viviane Barci de Moraes, mulher do ministro do Supremo Tribunal Federal. Reportagens baseadas no relatório da PF informam que o escritório recebeu R$ 80,2 milhões em 22 pagamentos entre 2024 e 2025, antes da liquidação do banco.



Metadados são registros técnicos associados a um arquivo, como usuário, data, programa utilizado e histórico de modificação. Eles podem indicar que determinada conta abriu ou salvou um documento, mas precisam ser contextualizados para demonstrar quem estava fisicamente diante do computador, quais mudanças foram realizadas e com qual finalidade.



O que o registro demonstra e o que ainda falta explicar



A informação técnica vincula a última modificação a um perfil com o nome do ministro. Reportagens também apontam que a versão foi aberta em ambiente do Office 365 utilizado por Moraes. Isso é mais específico do que uma simples citação nominal, mas não permite concluir, sozinho, que houve irregularidade ou interferência indevida.



O escritório afirmou que seu setor de compliance consultou Alexandre de Moraes sobre possíveis impedimentos legais relacionados à contratação. Essa explicação apresenta uma finalidade para o contato, mas não encerra as perguntas sobre a edição: qual trecho foi alterado, se a consulta foi registrada formalmente, quem tinha acesso ao perfil e por que o arquivo circulou entre o escritório e o banco daquela maneira.



A contratação privada de um escritório ligado a familiar de autoridade não é automaticamente ilegal. O ponto de interesse público está na combinação entre valor, cliente, posição institucional do ministro e processos que posteriormente alcançaram o Banco Master.



R$ 131 milhões previstos, R$ 80,2 milhões pagos



Também é necessário separar o teto contratual do desembolso efetivo. Os R$ 131,27 milhões correspondem ao valor bruto que poderia ser pago ao longo da vigência prevista. As informações divulgadas indicam R$ 80,2 milhões efetivamente transferidos antes do encerramento do contrato.



Essa distinção evita inflar o valor recebido e permite uma cobrança mais precisa. O escritório deve esclarecer o escopo dos serviços, as entregas realizadas, a composição das parcelas e os documentos fiscais correspondentes.



A PF deverá preservar o arquivo original, demonstrar a cadeia de custódia e reconstruir o histórico técnico completo. A resposta institucional dependerá menos do nome exibido no metadado e mais da prova sobre autoria, conteúdo da alteração e possível relação com atos públicos.



Fontes: Jornal do Brasil; A Crítica, com o posicionamento do escritório; BP Money.




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