Empresários que jantaram com Lula somam R$ 79,7 bilhões em fortunas pessoais identificadas
Encontro reuniu 16 representantes de grandes grupos; valores de mercado de Bradesco e BR Partners não podem ser somados ao patrimônio dos executivos.
O jantar oferecido pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva a 16 empresários e banqueiros no Palácio da Alvorada reuniu ao menos R$ 79,7 bilhões em fortunas pessoais identificadas publicamente. O total considera apenas quatro convidados para os quais foram divulgadas estimativas de patrimônio individual e exclui valores de mercado das empresas.
André Esteves, do BTG Pactual, aparece com fortuna estimada em R$ 66,1 bilhões. Rubens Menin, ligado à MRV e ao Banco Inter, tem R$ 9,2 bilhões. Roberto Setúbal, do Itaú Unibanco, e Chaim Zaher, do Grupo SEB, aparecem com R$ 2,2 bilhões cada. Somados, os quatro valores chegam a R$ 79,7 bilhões.
O encontro ocorreu na noite de segunda-feira, 31 de agosto, durou cerca de duas horas e 40 minutos e discutiu juros, responsabilidade fiscal, segurança pública, desenvolvimento e perspectivas da economia. Também participaram integrantes do governo, dirigentes de bancos públicos e o presidente do PT.
Fortuna pessoal não é valor de empresa
Publicações sobre o jantar associaram cifras ainda maiores ao grupo, mas parte delas mede conceitos diferentes. Os R$ 181 bilhões atribuídos ao Bradesco representam a capitalização de mercado do banco, não o patrimônio pessoal de Luiz Carlos Trabuco. O mesmo ocorre com os R$ 1,4 bilhão do BR Partners, ligados ao valor de mercado da companhia, e não à fortuna de Ricardo Lacerda.
Somar capitalização de empresas e patrimônio individual produz um número sem significado econômico. O valor de mercado pertence ao conjunto de acionistas e oscila conforme o preço das ações. A fortuna pessoal tenta estimar os ativos de uma pessoa, descontadas ou não determinadas obrigações conforme a metodologia usada.
Também não é correto afirmar que os R$ 79,7 bilhões representam a riqueza total de todos os presentes. O valor cobre apenas quatro empresários com estimativas destacadas na apuração consultada. Os demais nomes podem possuir patrimônios relevantes, mas não devem receber cifras sem fonte comparável.
Um encontro político com a elite do PIB
Estiveram no Alvorada representantes de BTG, Bradesco, Cosan, JBS, Amil, Gol, Gerdau, MRV, Grupo Bom Futuro, Votorantim Cimentos, Cutrale, Grupo SEB, Itaú Unibanco, Hypera Pharma e BR Partners, além de Josué Gomes, da Coteminas.
A reunião ocorre durante a campanha presidencial e depois de empresários também se encontrarem com Flávio Bolsonaro. Lula buscou sinalizar diálogo com setores que cobram equilíbrio fiscal e criticam juros elevados. O governo, por sua vez, apresentou sua agenda de desenvolvimento e política industrial.
O interesse público não está apenas no cardápio ou no tamanho das fortunas. Está em saber quais compromissos foram discutidos, se houve pedidos específicos ao governo e como propostas apresentadas em ambiente reservado aparecerão nas decisões públicas. Relação com empresários faz parte da política econômica; transparência impede que diálogo se confunda com privilégio.
Fontes: Poder360, lista de participantes; BP Money, cifras e distinção metodológica; UOL.





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