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Carangola,17/10/2026

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Sem ganhos reais nos benefícios, renda do interior pode ficar até 10,8% menor, diz USP

Estudo simula impacto sobre comércio e pobreza; em Minas, ausência de reajustes entre 2022 e 2025 atingiria até 251 mil pessoas a mais.

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Sem ganhos reais nos benefícios, renda do interior pode ficar até 10,8% menor, diz USP

A renda agregada dos municípios do interior poderia ficar entre 6,8% e 10,8% abaixo de um cenário com valorização real dos benefícios sociais e previdenciários, segundo estudo do Made, centro de pesquisa da Faculdade de Economia e Administração da USP. A projeção indica efeitos sobre o comércio, o emprego e a arrecadação dessas cidades.


O levantamento compara o crescimento real do BPC e das aposentadorias entre 2022 e 2025 com o padrão de reajustes de 2019 a 2022, sem ganhos reais do salário mínimo e com congelamento total. A análise projeta os efeitos para os três anos seguintes. Os resultados são simulações, não perdas já ocorridas.


Em outra simulação, a ausência de ganhos reais entre 2022 e 2025 teria levado aproximadamente 2,7 milhões de pessoas à pobreza fora das regiões metropolitanas, sendo 2,4 milhões à extrema pobreza. Minas Gerais teria até 251 mil pessoas a mais na pobreza; Bahia, até 336 mil; e São Paulo, até 263 mil. Maranhão, Pará e Ceará superariam 200 mil cada.


Segundo o estudo, aposentadorias, Bolsa Família e BPC chegam a responder por quase metade do orçamento das famílias mais pobres. Cerca de 4 mil dos 5.569 municípios brasileiros ficam fora de regiões metropolitanas, onde o peso dessas transferências pode ser o dobro do observado nos grandes centros. No Ceará, elas representam 22% da renda agregada da capital e região metropolitana e 40% no interior.


A economista Luiza Nassif, codiretora do Made-USP, explica que famílias de baixa renda gastam quase todo o benefício em necessidades básicas, fazendo o dinheiro circular no comércio local. Para famílias com até 1,5 salário mínimo por pessoa, os benefícios podem representar 50% da renda.


Os cenários mais críticos de perda de renda projetada são os interiores de Rio Grande do Norte, Amapá e Piauí, com queda de 17% a 18%. Amazonas, Sergipe e Pernambuco teriam perdas próximas de 15%; Ceará, Maranhão, Alagoas e Bahia, entre 10% e 13%. Mato Grosso do Sul, Rio de Janeiro, Espírito Santo, São Paulo, Mato Grosso, Rio Grande do Sul e Santa Catarina poderiam perder até 6,5%.


Nassif avalia que a redução da renda produziria uma reação em cadeia, atingindo também famílias que não recebem benefícios. Para quem vive no limite, afirma, reajustes abaixo da inflação aumentam o risco de pobreza.




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