Diretor da UPA de São João Del Rei é afastado após denúncias de assédio sexual
Médica registra boletim de ocorrência e grupo de 30 profissionais denuncia condutas gravíssimas; Prefeitura abre sindicância
Diretor da UPA de São João Del Rei é afastado após denúncias de assédio sexual
Médica registra boletim de ocorrência e grupo de 30 profissionais denuncia condutas gravíssimas; Prefeitura abre sindicância
O diretor da Unidade de Pronto Atendimento (UPA) de São João Del Rei foi afastado do cargo neste sábado (17), após denúncias de assédio sexual. A decisão foi confirmada pela Prefeitura, que abriu uma sindicância administrativa para apurar os fatos.
Segundo informações, uma médica da unidade registrou um boletim de ocorrência na Polícia Militar na quinta-feira (15), relatando que vinha sendo assediada pelo dirigente desde outubro de 2025, além de receber ameaças de morte. O caso ganhou força após um grupo de 30 médicos enviar à Prefeitura um ofício denunciando “gravíssimas e inaceitáveis condutas” do diretor.
De acordo com o boletim, o dirigente teria feito comentários e pedidos de cunho sexual, incluindo solicitações para que a médica fosse trabalhar de biquíni, alternando cores a cada dia da semana, e até mesmo nua em determinado momento. Também teria pedido para ver partes íntimas da profissional e feito comentários sobre seus seios.
O ofício assinado pelos médicos relata ainda ameaças, exposições vexatórias, apelidos pejorativos de cunho xenófobo, preconceituoso e homofóbico, além de relatos recentes de assédio sexual. “Tudo isso sob constantes ameaças de desligamento e até mesmo à própria integridade física”, diz o documento.
Em nota, a Prefeitura informou que não compactua com práticas de assédio ou qualquer conduta irregular e que seguirá acompanhando o caso em colaboração com as autoridades competentes. O afastamento do diretor foi determinado por até 60 dias, como medida preventiva para preservar a apuração.
Dados sobre assédio sexual no ambiente de trabalho
Segundo dados do Ministério Público do Trabalho (MPT), em 2024 foram registradas mais de 4.500 denúncias de assédio sexual em ambientes profissionais no Brasil. A Lei nº 14.540/2023 estabelece medidas de prevenção e combate ao assédio em órgãos públicos e privados, incluindo a obrigatoriedade de canais de denúncia e programas de conscientização.
O caso da UPA de São João Del Rei se insere nesse contexto nacional alarmante, reforçando a necessidade de políticas efetivas de proteção às vítimas e responsabilização dos agressores.
O silêncio cúmplice que não pode existir
O afastamento do diretor da UPA de São João Del Rei após denúncias de assédio sexual expõe uma realidade dolorosa: a persistência de condutas abusivas em ambientes que deveriam ser de cuidado e respeito.
O Jornal Carangola acredita que não estamos diante de um caso isolado, mas de um padrão de poder mal exercido, onde profissionais são submetidos a humilhações, ameaças e assédio. O relato de uma médica que foi coagida a trabalhar de biquíni ou nua é um retrato grotesco da degradação ética.
É triste, mas necessário dizer: cada denúncia é um grito contra o silêncio cúmplice que muitas vezes protege agressores em cargos de chefia. O afastamento por 60 dias é apenas o início; é preciso investigação rigorosa, responsabilização exemplar e garantia de proteção às vítimas.
O Brasil não pode tolerar que unidades de saúde, espaços de acolhimento, se transformem em palcos de abuso. Justiça não é apenas necessária, é urgente.
Fonte: G1 Zona da Mata / Prefeitura de São João Del Rei / Jornal Carangola





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