Trincas em estrutura da Vale reacendem alerta em Macacos e chegam à ANM e ao Ministério Público
Ofício pede vistoria e laudos públicos sobre estruturas remanescentes da mina Mar Azul; não há conclusão técnica de risco iminente
Um ofício encaminhado à Agência Nacional de Mineração, ao Ministério Público de Minas Gerais e à Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável levou novamente aos órgãos fiscalizadores preocupações sobre estruturas remanescentes da mina Mar Azul, da Vale, em São Sebastião das Águas Claras, distrito de Nova Lima conhecido como Macacos.
O documento, enviado pelo gabinete da deputada federal Duda Salabert após relatos de moradores, menciona “expressivas trincas visíveis” em taludes e possíveis problemas em uma bacia temporária de contenção de sedimentos, chamada tecnicamente de sump. Fotografias foram anexadas ao ofício.
Pedido é por vistoria e laudos públicos
Entre as providências solicitadas estão uma vistoria técnica presencial da ANM e da Semad, a divulgação de laudos de estabilidade e das justificativas para a continuidade das intervenções, além da abertura de apuração pelo Ministério Público.
A existência de fissuras mostradas em fotografias e descritas no documento não permite concluir que haja risco iminente de rompimento, falha estrutural ou contaminação. Essas avaliações dependem de inspeção e laudo produzidos por profissionais e órgãos competentes.
A reportagem de O TEMPO, fonte inicial das informações, procurou Vale, ANM, Semad e MPMG. Até a publicação do texto consultado, não havia recebido resposta. O espaço permanece aberto às manifestações e conclusões técnicas desses órgãos.
Memória da evacuação aumenta preocupação
Macacos viveu em 2019 a retirada preventiva de moradores e a elevação do nível de emergência das barragens B3/B4. A estrutura foi posteriormente descaracterizada, mas a memória daquele período explica a preocupação da comunidade diante de qualquer nova alteração observada na área da mineração.
O ofício também levanta a hipótese de que sedimentos possam alcançar cursos d’água ligados ao ribeirão Macacos e ao rio das Velhas, com conexão ao sistema de captação de Bela Fama. Trata-se de uma alegação apresentada aos órgãos fiscalizadores, e não de contaminação comprovada.
A resposta técnica esperada deverá esclarecer a origem das trincas, as condições do sump, o cronograma das obras e a existência ou não de risco para moradores e recursos hídricos. Até lá, o fato confirmado é a apresentação formal da demanda e o pedido de fiscalização.








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