Sites falsos do IPVA fizeram ao menos 2.435 vítimas e desviaram R$ 1,7 milhão em Minas
Operação Contramão cumpriu 14 mandados de prisão preventiva e prendeu dez pessoas em quatro estados; páginas imitavam o portal oficial e direcionavam pagamentos para contas controladas pelo grupo.
Um esquema que reproduzia páginas do portal oficial do IPVA de Minas Gerais fez ao menos 2.435 vítimas e causou prejuízo de R$ 1.746.312,44, segundo investigação do Ministério Público de Minas Gerais. A Operação Contramão foi deflagrada nesta quinta-feira, 3 de setembro, para atingir a estrutura responsável pelos sites falsos e pela movimentação dos valores.
Foram expedidos 14 mandados de prisão preventiva e dez mandados de busca e apreensão. Até a divulgação oficial da operação, dez pessoas haviam sido presas em quatro estados. Outros investigados permaneciam procurados.
Segundo o MPMG, os criminosos criavam páginas visualmente semelhantes às utilizadas pelo Governo de Minas para cobrança do IPVA. O contribuinte acreditava estar acessando um serviço público legítimo, mas o pagamento por Pix era direcionado para empresas e contas controladas pelo grupo.
Sites imitavam nomes e aparência de serviços públicos
A investigação identificou domínios que combinavam expressões como “gov”, “Detran” e “Minas Gerais”, além de empresas com nomes relacionados a “pagamentos de taxas”, “gestão de tarifas” e “administrativo veicular”. A estratégia buscava reduzir a desconfiança do usuário no momento do pagamento.
De acordo com o MPMG, o esquema é investigado desde 2024 e voltava a ser utilizado a cada ciclo de cobrança do imposto. Os recursos desviados eram distribuídos por contas ligadas a diferentes pessoas e empresas, com movimentações identificadas em Goiás, Maranhão, São Paulo e região do Distrito Federal.
As buscas ocorreram em cidades como Aparecida de Goiânia, Valparaíso de Goiás, Luziânia, Imperatriz, São Luís, São Paulo e Ribeirão Preto.
Durante as diligências foram apreendidos celulares, computadores, dispositivos de armazenamento, cartões bancários e outros materiais. A operação também encontrou drogas e uma réplica de arma de fogo em um dos locais, segundo a divulgação oficial.
Como reduzir o risco de cair no golpe
O Ministério Público orienta os contribuintes a utilizarem apenas os canais oficiais da Secretaria de Estado de Fazenda de Minas Gerais e a rede bancária autorizada. Links patrocinados em buscadores, mensagens recebidas por WhatsApp, SMS ou redes sociais devem ser tratados com cautela.
Antes de concluir um Pix, o contribuinte deve conferir quem aparece como beneficiário. Um pagamento de tributo direcionado para empresa comercial desconhecida ou pessoa física é sinal de alerta.
Quem já realizou pagamento suspeito deve registrar ocorrência, procurar imediatamente a instituição financeira para tentar bloquear ou contestar a transação e comunicar o caso aos órgãos competentes.
A Operação Contramão segue sob sigilo em parte de seus procedimentos, e as investigações continuam para localizar os demais alvos e reconstruir a movimentação financeira do grupo.
Fonte: Ministério Público de Minas Gerais.





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